Escovando o sexo


Apenas um tema consegue vigorar plenamente no universalesco, regendo a anatomia, a fisiologia e o comportamental. Estamos falando de sexo, óbvio.

O sexo, quando assunto, propicia uma curiosidade incomum em todos fomentada pela condenação, sem precedentes, que sofremos quando infantes, da cópula aflorar em conversinhas ou atitudes inocentes.

A liberdade feminina iniciou a escovação da imagem medonha do sexo. Mulheres começaram sua vida sexual antes do casamento sem maiores recentimentos, métodos contraceptivos se desenvolviam reiventando assim, limites pro conceito purista do pudor.

Entretanto, assumir publicamente a predileção por posições, apetrechos, lugares ou qualquer variação de parâmetro que hoje, naturalmente se faz para se obter o prazer sexual é um grande tabu.

O interessante é se perceber quanto de burburinho se produz quando fofocas de que fulano de tal adora um anal, um ménage (a trois + n pertencente a N), um vouyer, um swing e quizás um golden shower.

E é justamente aí é que se encontra o resquício de sujeira que sobrou da lavagem que se vem fazendo da imagem e concepção do sexo em si. A discussão sem entraves do sexo poderia proporcionar aos seres mais liberdade para se realizarem e gozarem, com trocadilhos, suas vidas sexuais, o que poderia trazer mais paz, harmonia e alegria para os seres que regem esse planetinha tão atrasado em avanços sociais. Não é?

Geisy Arruda, Santos Dumont e Albert Einstein


As teorias evolucionistas, que tem Charles Darwin como precursor, colocaram o ser humano no topo de uma pirâmide evolutiva devido ao seu alto potencial de racionalidade, que proporcionou uma sociedade melhor.
Ilustres cientistas como Santos Dumont e Albert Einsten que tiveram o dissabor de concretizar eventos que culminassem em eventos desastrosos como Hiroshima e Nagasaki, porém colocaram em xeque o conceito purista do progresso.
Um exemplo menos glamouroso e não menos polêmico é o da aspirante a turismóloga Geisy de Arruda que foi porcamente hostilizada por alunos da Uniban por (obviamente ter feito e causado muitas coisas além de) usar um vestido curto.
A concepção de que na universidade se encontra as melhores cabeças vem se dissolvendo de uma forma tão insossa em todos os lugares do mundo, como mais um resquício de retrocesso ao estado de liberdade de expressão que custou muito sangue para ser alcançado.
Enquanto o vigor do progresso implicando em retrocesso prevalecer, é duro prever até quando a translação e a rotação serão os unicos cíclicos que movem a Terra.

A gente podia ser tão feliz!

Quando questionado se ainda tinha o questionável costume de ver novelas durante esse feriadão de Finados, respondi que o costume tinha morrido devido as temáticas chatas que estão no ar hoje em dia.

Respondi também que a última que tinha fatalmente me atraído foi "A Favorita" devido ao seu maniqueísmo exacerbado do começo ao fim que me cativa imensamente. Mas o que mais me marcou na novela, não foi apenas isso, foi uma frase que no mês de outubro a minha voz mental gritou insanamente dia após dia:

A gente podia ser tão feliz.

Mas a frase conjugada no tempo daquilo que poderia ter sido e não foi, não me remete aos destemperos de Flora, e nem aos reparos de Donatela, só me conduz a uma compreensão mais intensa de mim mesmo.

Incerteza





Na vida, a incerteza é estimada a partir da probabilidade em que as coisas acontecem e com o método padrão em o tempo rege acontecimentos. Já a metrologia matematicamente afirma que a incerteza, quanto menor, indica a qualidade do objeto, também, seguindo um padrão como referencia.


Aí é que está o X do problema. A desconstrução do padrão na tomada de decisões é absurdo, pois o medo é congênito da cautela. No entanto, um tiquinho de desvínculo do padrão poderia conceber a felicidade e o gozo de se arriscar mais sem medo em empreitadas repletas de previsões estranhas e impossíveis.


E essa tem sido a minha incessante aposta, até o fim tragicômico das consequencias negativas.


Ou não!

Mendigar

Sempre quando olhava mendigos na rua, ou algum me parava para implorar misericórdia, a minha voz mental glorificava a Deus o fato da minha vida estar em um estado sócio-econômico superior.



Mendigos também mexiam com minha curiosidade de compreender as razões pelas quais os levaram a mendigar e de como administravam o dinheiro recebido por provocarem a piedade de transeuntes que depositam moedas e notas sobre suas mãos e chapéus.



Hoje, eu tenho uma compreensão maior sobre a arte da mendigagem, tudo porquê percebi que em vários momentos da minha vida eu também mendiguei.



Assim, percebi que mendigar não é pra qualquer um. É necessário ter um discurso isento de qualquer superioridade, ter humildade babaca e apelo repulsivo como uma criança despenteada com o nariz empapuzado de secreções ou uma perna com tecido necrosado.



Dessa forma, compreendi hoje que a vida toda eu sempre fui um péssimo mendigo, pois não tenho nenhuma das características que trilham o sucesso dos aventureiros da mendigagem.



Agora, vou me ater as minhas caracteristicas, valorizar meu potencial e me arriscar noutra arte cujo êxito frenetizará a sístole e a diástole do meu coração.

Auge






Estou no auge, sem dúvida. Nada pode ser mais alto do que isso.


Hmmm... na verdade, pode.


No entanto, nas inúmeras paradas que fiz na escalada para refletir se valia a pena realmente se desventurar juvenilmente no caminho do amor pleno, puro e unidirecionalmente construído, percebi que nenhum esforço humano meu seria mais válido para alcançar o topo, logo, o meu auge chegou.


Hoje, o sentimento ainda indefinido percola por toda a minha forma anatomo-fisiológica, entre células, tecidos e órgãos.


Ele revigora, enciuma, alegra espiritualmente quando o topo, por impressão babaca dos meus olhos e sentidos, se faz mais próximo.


Estou no meu auge. Daqui não devo mais avançar, mas desafiar a natureza é algo tão excitante, que vou continuar a permanecer na linha perigosa e arriscada da desobediência do óbvio.

Doces ou Travessuras?


O desfrute era do clima setembral, mesmo assim, crianças precoces bateram a minha porta com o bordão do Dia das Bruxas.
— Doces ou travessuras?
A estranheza foi instantânea. Aquelas crianças não estavam fantasiadas e nem dotavam de apetrechos que conferissem o terror e o medo da data comemorativa.
Fui carinhoso, como aquelas crianças esperavam que eu ia ser, pois costumeiramente eu já o fazia com elas. Deixei elas entrarem na minha casa e tranquei a porta, com isso o alavanque da estranheza acelerou quando percebi que as infantes começavam a se despir.
Naquele instante eu pude ver a alma daquelas crianças e ter a interpretação clara de quem elas eram. O desejo de me fazer infante e me unir a elas batendo de casa em casa, e se divertir no final contando as travessuras ou devorando os doces conquistados cresceu avassaladoramente.
Por sorte ou azar, a realidade beliscou o meu impulso, mostrando a impossibilidade nua que haveria de eu cometer o ultraje, resisti. Entreguei às crianças os melhores bombons que tinha na minha despensa, e as deixei partir.