Perto da Lua



Endeusar a Lua não é coisa de ameríndio. Recentemente eu mesmo fiz isso. Não, eu fiz mais do que isso, tentei chegar perto da Lua, explorá-la. E arrisquei.


A cada ano-luz que me aproximava do satélite, maravilhava-me com o mar de possibilidades que a Lua poderia me proporcionar, e quanta felicidade poderia sentir dentro de mim se eu pusesse meus dois pés nela.


No entanto, aos poucos a Lua ia se revelando, se mostrando recalcitrante. Era a temperatura fria que congelava o calor dos meus desejos. Era a gravidade menor que reduzia o peso do meu sentimento, deixando-o levemente surreal e improvável.


Daí em diante, desisti. Resolvi parar e abandonar a empreitada, mas não recuei. Estou no mesmo lugar, conseguindo sentir espiritualmente no vácuo do espaço que um dia terei todos os aparatos à mão para fincar com toda a força a bandeira da minha vitória em solo lunar.


Oportunismo & Oportunidade


A imiscibilidade do futebol com a música erudita é vencida quando vem à tona a contraposição de nomes como Ronaldo e Susan Boyle.
O fenomenal oportunismo do jogador, que viu a contratação do Corinthians a alavanca certeira para esbanjar estrelismo na seleção brasileira é uma manobra constante na sociedade brasileira que resiste bravamente em apostar no novo e dar oportunidades a tantos outros que podem fazer maior diferença.
Nadando contra a corrente da exigência mercadológica da beleza fundamental, Susan Boyle que encontrou em um reality-show uma oportunidade de se projetar e galgar degraus altos e inimagináveis em toda uma história de vida, é exemplo latente do quão válido pode ser a novidade sobre o batidão.

Anjo Guardador

"Você é um anjo!" O clichê que é característico de apaixonados que caem na malha fina da falta da inovação, no que concerne a expressão pura do que sentem no coração, foi dito por ELA. ELA é uma mulherzinha típica.

O pejorativo não provém de excessos libidinosos, ou de falta de altura, mas sim pelo fato de que ELA em suas vinte primaveras completas, comemora hoje com sorrisos e carícias recebidos pelo Anjo Guardador a mediocridade da sua vidinha morna e provinciana.

ELA só faz o que quer, tem dinheiro, se encaixa bem na construção social do padrão de beleza vigente e não possui destreza para discutir nada que fuja da superficialidade da vida. Mas mesmo assim, como é de se esperar desse sistema injusto, feio e mau que é essa bola azul que gira em um universo perdido, ELA arranjou o seu Anjo Guardador.

Junto d'ELA e do Anjo estou EU. EU que me valho da eloquência e do senso gostoso e levemente ácido do julgamento tendencioso baseado em meu achismo limitado, me envolvo numa teia bem emaranhada de ódio e inveja d'ELA.

No mais, o surpreendente resolveu vigorar neste triângulo micho e fez valer. ELA que recebe carinhos pendentes a uma seguinte investida sexual de seu grande angelical, observada por mEUs olhos vermelhos que parecem emitir lasers de alto poder destrutivo, vejo seus nervos se contraírem, sua pele suar fria e arrepios lhe correrem ao corpo quando o Anjo Guardador que ela conhecera naquela noite tira sua arma de fogo e lhe diz ao pé do ouvido: "É um sequestro!"

A piedade tocou a minha alma, tentei ajudá-LA, mas fiquei atarrachado com o argumento fatal do Anjo Guardador. "Deixe-me levá-LA, ela precisa fazer seu primeiro voo pela vida, você já fez o seu!"

(inspirado em Berecyl Garay)

In Natura


A hipocrisia barata da educação de quem assume, sem ressalvas, puramente a sua forma anátomo-fisiológica alcança e galga os mais altos degraus da vida, chega a ser enojante!
O mundo prende os seres humanos em um caldo viscoso, repleto de vaidade, avareza e hedonismo no qual não há banho que se elimine tais impurezas, não se consegue fugir!
Por esta razão, é que seres humanos jamais serão consumidos in natura. Eles se pasteurizam com mudanças de aparências atenuadas desde desodorantes que amenizam as sulfidrilas das axilas passando por cremes rejuvenescedores contra a ação de radicais livres até transformações comportamentais que culminam em casamentos de interesse, até controversos casos de pura psicopatia.
Entretanto, a noção da mentirosa panorâmica ameniza essa difícil sistemática. De modo que pregar a abolição da cosmética é babaquice, mas agir a evitar tolices que diariamente ocorrem por tabus incrutados na sociedade é glorioso!

Cuspam em mim, na Dilma e na Madonna


Nesse final de semana me cuspiram erros do passado. Eram como um cuspe denso, branco e cheio de bolinhas que deixavam aquele fluido cada vez mais viscoso escorrendo pela minha face!
Tanto nojo me levou à reflexão!
Fiquei tranquilo! Aquele cuspe não foi apenas lançado a mim. Dilma Roussef, a selvagem da Casa Civil e a danadinha da Madonna também foram cuspidas.
A primeira vê o seu passado, que anos atrás beirava ao desinteressante, ser vasculhado por jornalistas e historiadores, que recentemente acusam a sucessora de Lula de ser articuladora de um possível sequestro do nada defensável e indefeso Delfim Neto. Não que eu ache que isso impeça a ministra de ser candidata a presidência. Já li de pessoas: "Se meu filho namorasse alguém que participou de planos de sequestro, eu desaprovaria, logo não vou votar em Dilma!". Acredito que o contexto ainda vai amenizar a pena da presidenciável.
A segunda vê o seus desejos controversamente humanos caírem por terra após a negativa do governo de Malauí não permitir que a rainha do pop adotasse mais uma criança pobre africana, devido a separação recente de Guy Ritchie. Mais além disso, Madonna como uma boa mãe se torna questionável pelo fato do exibicionismo de sua família diversificadamente étnica-desfavorecida como um minimizador de suas libidinosas atitudes.
Agora vem a interessante entrelinha. Eu, após o fatídico estou refletindo e avaliando atitudes a fim de promover meu desenvolvimento humano. Dilma já se defendeu na Folha. Madonna vai recorrer na justiça, é claro!
"On and on, on the beat goes..."

Da retórica lulista

Beiro aos 21. E com todas as implicações do tempo que me rodeiam e assustam, posso dizer claramente que nunca na história da minha vida me senti tão controverso.

Acho que é a hora certa de fazer gritar aos poros conceitos, critérios e atitudes adultas, mas ao mesmo passo, me deleito ainda em bobageiras infantis que não desencarnaram com o tempo.
Olhar ao redor e ver que a sistemática não é só comigo não me satisfaz.
Há algum tempo, deixei de me cobrar em algumas coisas, mas nunca deixei de me penalizar quando me sinto subdesenvolvido pessoalmente, quando mais ainda amparado por balzaquianos e sexagenários que dizem que o tempo suavizará tudo. Ave!
Entretanto, não por Chronos que me deu vinte anos de vida e nem por Dionísio que semanalmente me propicia esbórnias universitárias, mas por algo mais espirituoso, sinto ao redor de mim a sensação de que todo esse emaranhado está no fim.
No mais, que a mudança venha, mesmo que ela seja uma mudança lulista daquelas que nos enchem de esperança no começo, e paulatinamente nos enche de decepções como é o jogo da própria vida.

Água fria


Calor é energia, aquece, movimenta, agita e ilude.

Valendo-me da semântica posso revelar a entrelinha que há no parágrafo acima com o desencadeamento total provocado pelo verbo iludir.

Sim, o verão ilude, sobretudo aos pobres vulneráveis a qualquer investida fraca da vida.

A beleza se sobressai em regatas, shorts, sungas e biquinis.

O contato de suores através do atrito de corpos, de misturas de salivas e outros fluidos corporais, que em contextos invernais, em discussões alcoólicas de bares se classificam nojentas, é amplamente difundido no verão e o desejo por essa conexão nos adentra osmoticamente.

Caí nessa rede pobre e trivial dos seres, mas fiquei na fase da expectativa, antes de partir em um ataque invasivo...

Ahhh!

Hoje finalmente veio a água fria!

Triste é saber que o frescor é adepto da efemeridade!