Endeusar a Lua não é coisa de ameríndio. Recentemente eu mesmo fiz isso. Não, eu fiz mais do que isso, tentei chegar perto da Lua, explorá-la. E arrisquei.
A cada ano-luz que me aproximava do satélite, maravilhava-me com o mar de possibilidades que a Lua poderia me proporcionar, e quanta felicidade poderia sentir dentro de mim se eu pusesse meus dois pés nela.
No entanto, aos poucos a Lua ia se revelando, se mostrando recalcitrante. Era a temperatura fria que congelava o calor dos meus desejos. Era a gravidade menor que reduzia o peso do meu sentimento, deixando-o levemente surreal e improvável.
Daí em diante, desisti. Resolvi parar e abandonar a empreitada, mas não recuei. Estou no mesmo lugar, conseguindo sentir espiritualmente no vácuo do espaço que um dia terei todos os aparatos à mão para fincar com toda a força a bandeira da minha vitória em solo lunar.


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